Leio persistentemente que a distribuição de verbas publicitárias é ilógica, levando em conta que o consumidor passa hoje 20% de seu tempo livre na internet.
O absurdo está no anunciante gastar apenas 6% de seu orçamento publicitário em internet pelos diversos meios (blogs, sites, sites de relacionamento e outros).
“Isso é absolutamente ilógico”, diz Sir Martin Sorrell, fundador e presidente do maior grupo de comunicação e publicidade do mundo, o WPP, que reúne agências como Young & Rubicam, JWThompson e Grey. Sorrell afirma que grandes clientes do grupo, como Nestlé, Unilever, Procter & Gamble, Microsoft e Ford já se movimentam para reverter essa equação.
“Nossos clientes têm abraçado cada vez mais as mídias alternativas para ganhar novos mercados e nós do WPP temos a meta de, nos próximos cinco anos, aplicar dois terços do orçamento global de mídia em veículos não tradicionais, como a internet e as redes sociais.”
No ano passado, nossas emissoras de televisão abocanharam 53% do total destinado à publicidade, enquanto os jornais (todos do País), detiveram 20% do total; as revistas 8%; as TVs por assinatura, também 8%, a internet, 6% (a expectativa era de 6,5%); e as rádios, 4%. Equivale dizer que a verba publicidade na internet já passou aquelas destinadas às revistas e está no calcanhar das revistas e das Tvs por assinatura.
Os brasileiros ainda ficam muito tempo frente às emissoras de televisão e aí contam as novelas, os programas familiares, como os infantis, os telejornais e os shows. A Rede Globo é a favorita dos programadores de mídia das agências de propaganda e o fazem por critérios técnicos e com base em pesquisas de audiência (absolutamente confiáveis).
Os jornais estão acompanhando considerável redução em suas receitas publicitárias e são os que mais sentem a mutação de destino de verbas de anunciantes. Cresce o encaminhamento de autorizações de veiculação para as Tvs por assinatura e a internet poderá ser a grande contemplada em 2.012, quando se espera um avanço para mais de 10% do total do bolo publicitário.
Os anunciantes ainda não assimilaram bem como anunciar na internet e poucas são as agências de propaganda que mantêm departamentos próprios para veiculação no marketing digital.
As agências com profissionais que dominam a técnica, são valiosas e estão promovendo consideráveis mutações nos meios publicitários, levando em conta os dados absolutamente ricos em informações sobre o resultado do que se aplica na internet, com seu retorno certo.
A conjugação de mídias visando alcançar um objetivo pode ser substituída por mídias digitais, possibilitando o cumprimento do papel até então dos out-doors, dos jornais, das rádios e da própria televisão. Aos poucos, compreendendo como anunciar na web, todos poderão reconhecer que com menos, pode ser feito muito mais visando o retorno. Isso é questão de pouco tempo para que o mercado assimile o jeito novo de fazer propaganda.
O diferencial e o novo, quanto ao aspecto, é que, na Internet, anunciantes dedicam seu rico dinheiro sabendo qual o número de pessoas a serem alcançadas… de onde, em que horário e, dentro em pouco tempo, quem, pelo IP dos computadores.
Bom levar isso em conta quem por acaso pretende acompanhar a revolução também no mercado publicitário, porque a dúvida de hoje, pode ser o fracasso de amanhã e um minuto é muito para se decidir. Aliás, não tem porque desconfiar do que aí está, mais que provado e comprovado, para quem quiser saber.
(*) Renato Cardoso, o autor, é publicitário e bacharel em direito.
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